Uma breve história do gerenciamento de projetos

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Uma breve história do gerenciamento de projetos

Por Aníbal Marcondes:

Os projetos vêm sendo executados desde os primórdios da civilização. A construção das pirâmides do Egito, a Grande Muralha da China, o Templo de Salomão, a Torre Eiffel, o Coliseum, o Pantheon, a Bomba Atômica e a Ida do Homem à Lua são alguns exemplos históricos de gerenciamento de grandes projetos.

Pensar em gerenciamento de projetos, portanto, não é algo novo como conhecimento. Indivíduos de várias épocas e culturas diferentes vêm criando novos produtos/serviços e introduzindo mudanças e inovações em seus processos. Cada uma dessas demandas envolveu uma série de requisitos e obstáculos pela ótica da disciplina. Desde a organização da mão de obra até a originalidade de suas funcionalidades, padrões e técnicas de construção.

Planejando e executando a construção, utilizando-se das ciências matemáticas, construtores e de arquitetos de modo a garantir a qualidade, e empregando a mão-de-obra, os responsáveis demonstravam conhecer muito bem os princípios envolvidos para se atingir o resultado de um esforço coletivo e temporário. Até hoje muito se discute e admira acerca de como todos estes esforços foram executados e entregues em épocas onde as ferramentas eram rústicas e o trabalho extremamente desgastante.

Viajando através da história antiga, para a medieval, até o renascimento e as posteriores revoluções industriais, muito se evoluiu até os dias atuais. Com as complexas necessidades de sistematizar e organizar a forma de gerir diferentes habilidades e conjuntos de conhecimentos surgiu a disciplina metodizada de gerenciamento de projetos no século XX.

Mas ainda lá no século XIX, durante a primeira revolução industrial, as técnicas de gerenciamento de projetos eram praticamente as mesmas de séculos anteriores. Neste ínterim, surgiu a figura do “supervisor de projetos que sabiam ler, escrever e fazer contas” (BERNARDO, 2013). Tais habilidades já introduziam as premissas para negócios, finanças e gestão.

Já no início do século XX, com a necessidade de maximizar a produção e não precisar utilizar mais trabalhadores ou exigir mais horas de serviço, “Frederick Taylor (1856-1915) aplicou o raciocínio científico para mostrar que o trabalho pode ser analisado e melhorado focando em suas partes elementares” (TORREÃO, 2007), ou seja, quebrou os elementos de um processo para criar as tarefas. Por sua grande contribuição a esta nova abordagem e delimitação de um novo patamar na disciplina de gestão de projetos, Frederick foi considerado o "O pai do gerenciamento científico", inscrição esta presente em seu túmulo (TORREÃO, 2007).

Outro grande personagem do século XX é Henry Grantt (1861-1919), que criou a técnica de traçar a sequência e a duração das tarefas. Com o seu diagrama ele pode ilustrar o avanço das diferentes etapas de um projeto. O gráfico é utilizado até hoje como parte dos softwares para gerenciamento de projetos (BERNARDO, 2013).

Na segunda revolução industrial com o advento da eletricidade e do motor movido a combustão foram desenvolvidas e aperfeiçoadas novas tecnologias de produção em massa para dar maior controle e organização no gerenciamento de projetos (BERNARDO, 2013).

Já na terceira revolução industrial com o advento dos computadores e nas décadas seguintes a segunda guerra mundial com a criação dos complexos diagramas de rede, chamados de Gráficos de PERT (Program Evaluation and Review Technique) e o método de Caminho Crítico (Critical Path Method – CPM) pelos militares dos EUA, foram introduzidos novos elementos oferecendo aos gerentes maior controle sobre os projetos. Em pouco tempo essas técnicas se espalharam entre as diversas indústrias e organizações, onde o maior controle e gestão tornavam-se algo estratégico (TORREÃO, 2007).

No início da década de 60, o gerenciamento de projetos foi formalizado como ciência. As organizações de diferentes ramos começaram a enxergar o benefício do trabalho organizado com os conhecimentos de projetos e a necessidade da interação de diferentes departamentos e profissões (TORREÃO, 2007). O programa espacial da NASA surgido durante a guerra fria e o programa Apollo são grandes exemplos de uma série de projetos coordenados com uma finalidade específica, que era o de levar o homem a lua ainda naquela década.

Em 1969 na Pensilvânia - EUA surge o PMI (Project Management Institute), onde um grupo de profissionais se reuniu para discutir e compilar as melhores práticas do gerenciamento de projetos. Com a alta especialização e cada vez mais necessidade de métodos e boas práticas, o PMI cresceu de modo que passou a ser a maior organização sem fins lucrativos no campo da ciência do gerenciamento de projetos. Com todas essas demandas não só em compilar boas práticas, mas também atestar pessoas com conhecimento baseados nestas práticas, surgiram o PMBOK e as certificações.

Hoje, o gerenciamento de projetos é cada vez mais aceito e difundido, e está presente em torno de todas as áreas e organizações. Milhares de profissionais e muitos investimentos são empregados e envolvidos diretamente com gerência de projetos. E a crescente necessidade de rapidez na entrega dos projetos com os menores recursos e garantia de qualidade, faz de hoje o maior desafio para esta grande organização.

Referência Bibliográfica:

BERNARDO, André. A História do Gerenciamento de Projetos. Responsabilidade do autor do vídeo. YouTube, 2013. Duração: 5min52seg. Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=le0GTYjlvl4>. Acesso em: abril de 2017.

 TORREÃO, Paula. História do Gerenciamento de Projetos, 2007. Disponível em:< https://pontogp.wordpress.com/2007/04/23/historia-do-gerenciamento-de-projetos/>. Acesso em: abril de 2017.

 

Outras Referências Bibliográficas. Acesso em abril de 2017:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Project_Management_Institute
http://www.pmtech.com.br/artigos/O%20Valor%20da%20Certificacao%20PMP.pdf
http://www.pmisp.org.br/
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/administracao/breve-historico-da-metodologia-da-gestao-de-projetos/43747